Mortalidade materna

24/06/2025

A mortalidade materna é um dos indicadores de saúde pública mais sensíveis e importantes, pois reflete diretamente a qualidade da assistência à saúde da mulher, o acesso aos serviços de saúde e o nível de desenvolvimento socioeconômico de uma região.

Definição de Morte Materna

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a morte materna é definida como:

"A morte de uma mulher durante a gestação ou dentro de um período de 42 dias após o término da gravidez, independentemente da duração ou da localização da gravidez, devida a qualquer causa relacionada com ou agravada pela gestação ou por medidas tomadas em relação a ela, mas não por causas acidentais ou incidentais."

É importante notar as categorias dentro dessa definição:

  • Morte Materna Obstétrica Direta: Resultante de complicações obstétricas (da gravidez, parto ou puerpério) devido a intervenções, omissões, tratamento incorreto ou uma cadeia de eventos resultantes dessas causas.
  • Morte Materna Obstétrica Indireta: Resultante de doenças que existiam antes da gravidez ou que se desenvolveram durante ela, não provocadas diretamente por causas obstétricas, mas agravadas pelos efeitos fisiológicos da gravidez.
  • Morte Materna Tardia: É a morte de uma mulher, devido a causas obstétricas diretas ou indiretas, que ocorre num período superior a 42 dias e inferior a um ano após o fim da gravidez.

Razão de Mortalidade Materna (RMM)

O principal indicador utilizado para medir a mortalidade materna é a Razão de Mortalidade Materna (RMM).

  • Fórmula: (Nuˊmero de oˊbitos maternos em um perıˊodo/Nuˊmero de nascidos vivos no mesmo perıˊodo)×100.000
  • A RMM é expressa em óbitos maternos por 100.000 nascidos vivos.

Valores elevados de RMM indicam uma assistência à saúde da mulher insatisfatória e desafios significativos no sistema de saúde.

Principais Causas de Mortalidade Materna no Brasil

No Brasil, as causas de mortalidade materna são complexas e multifatoriais, mas algumas se destacam:

  1. Síndromes Hipertensivas: Como a pré-eclâmpsia e a eclâmpsia, que são complicações graves da gravidez caracterizadas por pressão alta.
  2. Hemorragias: Sangramentos graves, especialmente após o parto (hemorragia pós-parto), que podem levar rapidamente à morte se não forem controlados.
  3. Infecções: Infecções relacionadas à gravidez, parto ou puerpério (como sepse puerperal).
  4. Complicações do Aborto Inseguro: Abortos realizados em condições insalubres e por pessoas não qualificadas, que resultam em infecções graves, hemorragias e lesões.
  5. Outras afecções obstétricas: Incluem uma gama de complicações diretas não classificadas nas categorias anteriores.
  6. Doenças pré-existentes agravadas pela gravidez: Doenças cardíacas, renais, diabetes e, mais recentemente, a COVID-19 (que teve um impacto significativo na mortalidade materna durante a pandemia, tornando-se uma das principais causas).

Importante: A grande maioria das mortes maternas (estimativa de 9 em cada 10) são evitáveis, o que reforça a necessidade de melhorias na assistência à saúde.

Mortalidade Materna em Salvador e na Bahia

A mortalidade materna é um desafio persistente em todo o Brasil, incluindo a Bahia e sua capital, Salvador. Dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) da SESAB (Secretaria de Saúde do Estado da Bahia) são utilizados para monitorar e analisar esse cenário.

  • Impacto da Pandemia: A pandemia de COVID-19 teve um impacto negativo significativo na mortalidade materna, tanto por óbitos diretos pela doença quanto pelas dificuldades de acesso aos serviços de saúde e a menor realização de pré-natal.
  • Características dos Óbitos: Estudos na Bahia apontam que os óbitos maternos são mais prevalentes em mulheres pardas e pretas, e na faixa etária de 30 a 39 anos. A escolaridade e o nível socioeconômico também são fatores importantes, indicando que a mortalidade materna afeta desproporcionalmente as mulheres em situação de maior vulnerabilidade social.
  • Salvador: A capital, por ser o maior centro urbano e de referência para muitos serviços de saúde, frequentemente registra o maior número absoluto de óbitos maternos no estado, o que ressalta a necessidade de constante vigilância e aprimoramento da assistência.

Estratégias para Redução da Mortalidade Materna

A redução da mortalidade materna é uma prioridade global e nacional. As estratégias envolvem:

  • Acesso e Qualidade do Pré-natal: Garantir um pré-natal adequado, com número suficiente de consultas, exames essenciais e identificação precoce de riscos.
  • Assistência ao Parto Qualificada: Disponibilidade de profissionais capacitados, leitos adequados, acesso a intervenções obstétricas de emergência (cirurgias, transfusões de sangue).
  • Atenção ao Puerpério: Cuidado e acompanhamento no pós-parto, período crítico para muitas complicações.
  • Planejamento Familiar: Acesso a métodos contraceptivos eficazes para evitar gestações não planejadas e de alto risco.
  • Combate ao Aborto Inseguro: Medidas que garantam acesso à saúde sexual e reprodutiva, minimizando a necessidade de abortos clandestinos.
  • Melhoria da Qualidade dos Dados: Investigações de todos os óbitos de mulheres em idade fértil para identificar e classificar corretamente os óbitos maternos.
  • Enfrentamento das Desigualdades Sociais: Abordar os determinantes sociais da saúde (educação, renda, raça/etnia) que tornam algumas mulheres mais vulneráveis.
  • Comitês de Mortalidade Materna: Grupos multidisciplinares que analisam cada caso de óbito materno para identificar falhas e propor melhorias nos serviços de saúde.

A mortalidade materna é um reflexo das desigualdades sociais e da qualidade dos sistemas de saúde. A luta pela sua redução é uma luta por direitos humanos e por equidade.

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